2015

2.ª EDIÇÃO DO FESTIVAL IN SPIRITUM

 

Salão Árabe do Palácio da Bolsa ⋅ Saint-Saëns | César Franck: visions, évocations, joyeuseté  Michelle Kim e Marco Brescia

O primeiro concerto compõe-se de obras de Camille Saint-Saëns (1835-1921) e César Franck (1822-1890),

como o Triptyque (Prémice, Vision Congolaise, Joyeuseté) para violino e piano e a Africa, vibrante fantasia para piano solo sobre temas do Magrebe islâmico, ambas de Saint-Saëns, para além da paradigmática Sonate pour violon et piano en la majeur de Franck; obras pródigas na criação de atmosferas e evocações a mundos fantásticos, reais ou imaginários, que encontrarão perfeita ressonância no recinto onírico do Salão Árabe do Palácio da Bolsa.

 

 

Mosteiro de São Bento da Vitória – TNSJ ⋅ El Sur: tangos, añoranza, soledad ⋅ Mirta Herrera

No dia 24 de abril teve lugar no TNSJ – Mosteiro de São Bento da Vitória o segundo concerto do festival, composto por obras de compositores sul-americanos dos sécs. XIX e XX e intitulado El Sur: Tangos, añoranza, soledad, que correu a cargo da pianista argentina Mirta Herrera. O concerto, que também contou com a participação especial do pianista Marco Brescia na interpretação a quatro mãos do célebre Invierno Porteño de Astor Piazzolla, foi assistido por cerca de 290 espectadores, que dispensaram um longo e efusivo aplauso aos artistas.

 

 

Palácio das Artes ⋅ Quadros de uma exposição: deambulações contemporâneas⋅ Tropos Ensemble

Nesta proposta de vanguarda do Tropos Ensemble, o texto musical dos Quadros de uma exposição para piano solo de Modest Mussorgsky (1839-1881) é revisitado através da sobreposição de layers musicais de estilos diferenciados
– o romântico original (1º piano) e contemporâneo dos comentários ao mesmo (2º piano) –, num instigador processo de re-composição/re-criação de um clássico
do repertório pianístico. Completam o programa metamorfoses multi-pianísticas sobre os exercícios técnicos para dois pianos de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e D’un cahier d’esquisses de Claude Debussy (1862-1918).

 

 

Igreja da Misericórdia ⋅ Seixas | Nebra | Soler: cantadas e concertos galantes  Ensemble Favola d’Argo

Favola d’Argo, ensemble residente do Festival IN SPIRITUM, traz para esta segunda edição do mesmo um programa de música instrumental e vocal articulado em torno a três expoentes máximos da música portuguesa e espanhola do século XVIII. À ocasião, o ensemble interpretará o Concerto em Lá maior para cravo e orquestra de arcos de Carlos Seixas (1704-1742), duas Cantadas al Santisimo de José de Nebra (1702-1768) e o Quinteto para clave y cuerda en Sol mayor de Antonio Soler (1729-1783), obras que colocam em relevo a assimilação dos novos ares italianos à vetusta tradição ibérica, dando origem à uma música transcendente que espelha o gosto musical galante em ambos os países da península.

 

 

Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, I.P.⋅ Boccherini: “la bona notte”⋅ La Real Cámera

Concerto em torno da obra instrumental de Luigi Boccherini (1743-1805), violoncelista virtuoso, radicado na corte madrilena a partir 1769, e figura de proa no que tange à música instrumental europeia do séc. XVIII. É precisamente o ambiente dos salões aristocráticos sete/oitocentistas que a Real Cámara de Emilio Moreno trará ao Palácio do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, interpretando alguns trios, para além do célebre noturno para violino e viola la bona notte do refinado e inconfundível compositor lucchese.

 

 

Igreja dos Clérigos  In Cornu Epistolae / In Cornu Evangelii: órgãos em diálogo João Vaz e Javier Artigas

Característica por excelência de um órgão barroco ibérico em pleno apogeu, a simetria visual e sonora relativamente aos instrumentos duplos implantados face a face traduz-se, musicalmente, na criação de uma autêntica arquitectura sonora, conformada por uma multiplicidade surpreendente e dinâmica de planos sonoros contrastantes, na qual a própria espacialidade interior do recinto corporifica-se em matéria musical. João Vaz e Javier Artigas – dois nomes máximos do órgão histórico em Portugal e Espanha –
irão recriar a riqueza do diálogo e/ou sobreposição de planos múltiplos emitidos por fontes sonoras separadas espacialmente na nave elíptica de um dos símbolos inequívocos da cidade invicta: a Igreja dos Clérigos.