18 de maio – 21h30

Danças e fantasias

do tempo dos Descobrimentos

Ricardo Leitão Pedro

Em 1414, o Infante D. Henrique convencia o pai, o rei D. João de Aviz, a montar a campanha de conquista de Ceuta. Por Agosto do ano seguinte, Portugal detinha
o controlo da cidade assim como das rotas marítimas
de comércio entre o Atlântico e o Médio Oriente. D. Henrique é armado cavaleiro e senhor de Viseu e da Covilhã nesta ocasião, e com ela a Era dos Descobrimentos começava definitivamente.

Um século mais tarde, as caravelas portuguesas ainda cruzam mares desconhecidos e a música, a literatura e o teatro continuam a inspirar-se das explorações náuticas
e conquistas de novos mundos. O entretenimento cortês da primeira metade do século dezasseis incluía momentos musicais assim como peças dramáticas e declamações de poesia, frequentemente ao longo do mesmo serão, como seria de uso numa época ainda estranha ao conceito de espetáculo único que temos hoje.

Ainda antes da união ibérica da Coroa, poetas e músicos viajavam ostensivamente entre Portugal e Espanha, o que explica a presença da língua castelhana na literatura nacional e várias características comuns nas várias artes ibéricas.

Luys de Milán, músico e escritor espanhol, publica em Valencia no ano de 1536 “El Maestro”, um livro de música para vihuela de mano (‘viola de mão’ em português) dedicado ao rei português D. João III.

Neste livro, o primeiro de apenas sete existentes para o instrumento, encontramos diversas peças instrumentais de cariz improvisatório (fantasias) e canções em castelhano, português e italiano, entre as quais romances que descrevem batalhas contra os mouros e outros eventos históricos. Estas apresentam a particularidade de terem a melodia cantada assinalada na parte do acompanhamento instrumental, indicando uma boa probabilidade de o músico tocar e cantar ao mesmo tempo, como é feito hoje.

O resto das canções neste programa são tiradas de cancioneiros portugueses da primeira metade do século dezasseis, arranjadas para voz sola e acompanhamento instrumental. Estes pequenos livros constituem um pequeno tesouro da nossa Renascença musical, particulares no contexto da canção profana ibérica e
no entretenimento dramático-musical na vida cortesã europeia. Estas canções (maioritariamente villancicos) tanto invocam paisagens bucólicas e a vida simples do pastor (próxima da sátira) como se alongam em episódios da mitologia. A maioria, no entanto, declama em canto e pranto as eternas virtudes e maldições do Amor como então seria de uso, assim como hoje.

Casa do Infante

Bilhetes à venda em https://ticketline.sapo.pt/evento/in-spiritum-2019-41784
PREÇO: 12,50€