2014

1.ª EDIÇÃO DO FESTIVAL IN SPIRITUM

 

Casa do Infante ⋅ Uma harpa para o Infante ⋅ Manuel Vilas

O primeiro concerto, intitulado Uma harpa para o Infante, decorreu na Casa do Infante no dia 23 de abril,tendo sido oferecido pelo harpista galego Manuel Vilas, que interpretou obras medievais em dois instrumentos construídos a partir de modelos iconográficos dos séculos XIII e XV, mais precisamente, uma cópia da harpa do Pórtico da Gloria da Catedral de Santiago de Compostela e uma harpa dupla da Coroa de Aragão representada no tríptico do Monasterio de Piedra de Saragoça. Com a capacidade de aforo completa, a Casa do Infante acolheu aproximadamente 80 pessoas que assistiram ao concerto inaugural do Festival e escutaram atentamente as explicações dadas pelo artista no decurso de uma actuação invulgar.

 

 

Mosteiro de São Bento da Vitória – TNSJ ⋅ El Sur: tangos, añoranza, soledad ⋅ Mirta Herrera

No dia 24 de abril teve lugar no TNSJ – Mosteiro de São Bento da Vitória o segundo concerto do festival, composto por obras de compositores sul-americanos dos sécs. XIX e XX e intitulado El Sur: Tangos, añoranza, soledad, que correu a cargo da pianista argentina Mirta Herrera. O concerto, que também contou com a participação especial do pianista Marco Brescia na interpretação a quatro mãos do célebre Invierno Porteño de Astor Piazzolla, foi assistido por cerca de 290 espectadores, que dispensaram um longo e efusivo aplauso aos artistas.

 

 

Igreja de São Lourenço ⋅ Loas ao Eterno⋅ Marisol Mendive

No dia 25 de Abril foi a vez da organista espanhola Marisol Mendive, que interpretou obras de cariz religioso de autores espanhóis do período barroco ao contemporâneo. Apesar do mau tempo, a belíssima igreja de São Lourenço (Grilos) esteve repleta de um público atento e absolutamente entregue à música. Cerca de 140 pessoas assistiram à igreja e acolheram calorosamente a artista ao final do concerto, intitulado Loas ao eterno.

 

 

Coro Alto da Igreja de São Bento da Vitória ⋅ No recolhimento do coro, ao som do clavicórdio ⋅ José Luis González Uriol

O quarto concerto do festival, no dia 26 de Abril foi oferecido pelo organista e cravista aragonês José Luis González Uriol, uma das maiores autoridades internacionais na interpretação do repertório ibérico de tecla histórica. O concerto intitulado No recolhimento do coro, ao som do clavicórdio correu ao abrigo do magnífico coro alto da Igreja de São Bento da Vitória, não obstante tratar-se de uma das obras maiores da talha portuense, pouco acessível aos turistas e habitantes da cidade. O aforo deste concerto em particular foi bastante limitado (50 pessoas) já que o  clavicórdio, instrumento raramente utilizado em concertos devido às suas peculiares características, não poderia ser interpretado num ambiente com maiores dimensões. O público que teve o privilégio de ocupar as centenárias estalas do antigo coro beneditino permaneceu atentíssimo ao selecto repertório escolhido pelo artista, composto por obras portuguesas e espanholas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

 

 

Igreja de Santa Clara ⋅ Regno di Napoli / Portogallo: duas margens, uma música⋅ Ensemble Favola d’Argo

Na noite do mesmo dia 26 foi a vez do ensemble Favola d’Argo – Música Antiga, sediado na cidade do Porto. No seu concerto intitulado Regno di Napoli / Portogallo: duas margens, uma música, o grupo interpretou obras emblemáticas do repertório napolitano e português do século XVIII, com destaque para duas obras compostas pelo portuense António da Silva Leite (1759 – 1833), dedicadas às freiras de clausura do antigo Mosteiro
de São Bento da Ave Maria e do Convento de Santa Clara, cuja igreja acolheu o concerto. Foi a primeira vez que as referidas obras deste importante compositor foram ouvidas na Igreja de Santa Clara desde finais do século XVIII. O público, mais uma vez, superou a capacidade de lotação do recinto. Cerca de 140 pessoas assistiram ao concerto ainda que a igreja de Santa Clara só comportasse 120 pessoas sentadas. Com este concerto, a organização do festival deu mostras do seu objectivo de valorizar o  património portuense, tanto arquitectónico como imaterial, resgatando e interpretando obras que integram a riquíssima paisagem sonora e artística da cidade invicta.

 

 

Sé do Porto  Paisagens Celestiais⋅ Concerto de Daniel Ribeiro

O concerto de encerramento do festival IN SPIRITUM 2014 aconteceu no dia 27 de Abril na Sé Catedral. Intitulado Paisagens Celestiais, esteve a cargo do jovem organista portuense Daniel Ribeiro, que, na ocasião, interpretou obras do século XX para órgão, entre as quais a paradigmática Messe de la Pentecôte
do compositor francês Olivier Messiaen. As sonoridades contemporâneas emanadas do imponente órgão Georg Jann ecoaram nas vetustas abóbadas do templo românico, num diálogo inusitado que surpreendeu e maravilhou o público presente, composto de duas centenas de espectadores de várias nacionalidades.