Salão Árabe do Palácio da Bolsa | In Spiritum 2019

Nubas e Melodias do Al-Andalus

16 de maio

Iman Kandoussi e convidados

A música da esfera islâmica assume a herança da remota transumância asiática, ou seja, a secura das estepes
e dos desertos que fazem os instrumentos por vezes soar áridos, penetrando na parte mais profunda do ouvinte em que deixa uma marca indelével, como as faixas deixadas para trás no deserto. Mas, ao mesmo tempo, esta música mantém outra característica que a torna, de alguma
forma, inimitável: tem o refinamento das abóbadas das salas palacianas e o esplendor das antigas civilizações; adora o som, vestindo-o em formas geométricas, nobreza bruta e ornamentação delicada. Ele desenha e propaga uma cultura de esplendor e pureza onde as intrincadas passagens da Medina se enchem de velhos cânticos otomanos, melodias andaluzas de amor conclusivo ou vagas melodias improvisadas; e onde a lua desproporcionada sobre o céu índigo retém os melancólicos cantinelos e o fogo rítmico aceso pelos povos nômades.

Com canções da Turquia otomana, folclore grego ou macedónio, ritmos do Irão e Curdistão ou danças do povo Magrebino e andaluz recriados e fundidos com correntes estéticas ocidentais, o itinerário musical andaluz estimula o intercâmbio e ajuda as pessoas a se entenderem melhor através da linguagem mútua e espontânea, uma mistura de instrumentos dos ambientes oriental e ocidental e música impregnada com a estética do Sul. É uma sensibilidade ecléctica e luminosa que evoca tanto a sensualidade do Oriente e do Mediterrâneo como o dinamismo das tendências ocidentais.